Investir na bolsa de valores requer conhecimento e prática. Para quem se interessa por essa atividade, a análise técnica se mostra fundamental para promover aplicações mais informadas e para maximizar as possibilidades de lucro. Entre os métodos utilizados para análise, a representação do movimento do preço em candlestick é um dos mais populares.

Preparei este post justamente para ajudá-lo a entender o que são, como funcionam e como usar os candlesticks para determinar os momentos mais propícios para a negociação de um ativo. Para saber mais, confira!

O que é CandleStick?

O candlestick, também chamado de candle ou vela, é uma forma de representação gráfica do preço que surgiu no Japão, no século XVIII. Esse método servia para analisar as flutuações na negociação de arroz e, por conta de sua eficiência, se popularizou ao longo do tempo, sendo usado até hoje no mercado financeiro.

Ele leva esse nome por apresentar um formato que lembra o de uma vela. Cada uma dessas “velas” apresenta informações a respeito do movimento do preço do ativo em dado intervalo de tempo. Esse período é conhecido como timeframe, e pode ser de minutos, horas, dias ou até meses.

A grande vantagem dessa forma de visualização da variação do preço é a facilidade para a interpretação dos dados. Os candles conseguem transmitir diversas informações a respeito da volatilidade, tendência e força do mercado em determinado momento.

Por isso, muitos profissionais utilizam essa ferramenta para analisar o mercado e, por vezes, antecipar movimentos do preço. Isso pode ser feito por meio da observação dos candles e pela identificação de certos padrões gráficos.

Como funciona e é formado?

Para compreender o funcionamento dos candlesticks, é imprescindível conhecer os dados que definem a sua formação. São eles: abertura, fechamento, máxima e mínima.

A abertura refere-se ao preço praticado no início do intervalo representado pela vela. De forma similar, o fechamento diz respeito ao valor do ativo no fim desse período. Já a máxima e a mínima pontuam, respectivamente, o maior e o menor valor atingidos pelas negociações.

Os componentes gráficos do candlestick são o corpo e as sombras (também chamadas de pavios ou caudas). O corpo é caracterizado por um bloco retangular cujos extremos representam a abertura e o fechamento. Quando esses valores são iguais, o corpo da vela se assemelha a uma linha horizontal.

As sombras apresentam a forma de linhas verticais localizadas acima e abaixo do corpo do candle. A sombra superior mostra o ponto máximo atingido pelo preço durante as negociações, bem como os valores que ficaram acima da zona delimitada pelos preços de abertura e fechamento. Localizada no extremo oposto, a cauda inferior contempla a mínima do ativo e os preços negociados abaixo do corpo da vela.

Com esses dados, o candlestick consegue mostrar se o preço aumentou ou diminuiu no timeframe definido. Quando o preço de fechamento for maior que o preço de abertura, uma vela de alta será formada. Por outro lado, um preço de fechamento menor do que o preço de abertura formará uma vela de baixa. Para diferenciar candles de alta e de baixa são utilizadas cores diferentes, tornando a sua interpretação mais imagética e intuitiva.

Como analisar corretamente esses gráficos?

Observar os formatos de corpo e sombras que constituem o candle é útil para obter mais informações a respeito do mercado.

O tamanho do corpo da vela pode indicar a força do movimento das negociações de preço. Enquanto um corpo longo e com fechamento mais próximo da máxima do período indica maior pressão dos compradores, o corpo longo e com fechamento próximo da mínima indica força vendedora.

Já um corpo curto demonstra fraqueza nas negociações de compra ou venda, indicando dificuldade de domínio por qualquer dos lados (comprador ou vendedor).

O tamanho das sombras da vela pode dar informações a respeito da flutuação do preço em certo intervalo de tempo. Sombras grandes indicam que ocorreram negociações longe dos limites estabelecidos pela abertura e pela máxima. Sombras pequenas, por outro lado, demonstram que as negociações se contiveram em regiões próximas à abertura e fechamento da vela.

Essa informação, somada ao tamanho dos corpos, pode demonstrar o quão decidido os participantes do mercado estavam a respeito do preço. Uma vela com corpo pequeno e sombras grandes, por exemplo, demonstra equilíbrio de forças e indecisão a respeito do preço de um ativo. Candles com corpo grande e pavios curtos, em oposição, mostram tendência forte e mercado decidido, no intervalo de tempo representado.

Além disso, é importante que a análise dessas formações gráficas seja feita abrangendo o seu contexto. A observação de um candle isolado não é capaz de fornecer as informações necessárias para um entendimento mais completo do que está acontecendo. Por isso, avaliar as demais figuras e a formação de padrões gráficos, bem como a tendência geral, pode levar a uma compreensão mais detalhada do mercado em certo momento.

O que são os padrões de candlestick?

Um dos principais objetivos dessa técnica de análise é a previsão de mudanças nos movimentos do preço de um ativo. Nesse contexto, certos padrões gráficos podem ajudar a antecipar essas mudanças.

Tais padrões consistem em candles de certo formato ou um conjunto deles dispostos de maneira específica. Eles podem, assim, sinalizar suportes e resistências, bem como indicar níveis em que o mercado está saturado pela força compradora ou vendedora.

Um exemplo desses padrões é o martelo, uma vela que possui uma longa sombra inferior e um corpo curto em seu topo. Quando ocorre em uma tendência de baixa, esse padrão sinaliza a possibilidade de reversão para uma tendência de alta. O martelo invertido funciona de forma similar, mas tem estrutura oposta, com o corpo na parte inferior da vela, e sinaliza uma possível reversão para uma tendência de baixa.

Outro exemplo é o padrão chamado de três corvos negros. Caracterizado pela sucessão de três candles de baixa, com aberturas e fechamentos menores a cada nova vela, ele indica a possível mudança para uma tendência de baixa.

Além desses, alguns outros padrões podem ser citados:

  • estrela da manhã;

  • estrela da noite;

  • engolfo;

  • marubozu;

  • harami;

  • nuvem negra.

Quais são as limitações desse tipo de análise?

A relação entre os valores de abertura, fechamento, mínima e máxima fornece um conhecimento valioso a respeito da composição do preço do ativo. Todavia, essa técnica apresenta limitações.

Uma delas é a incapacidade de representar os eventos que aconteceram durante o período, dificultando uma observação mais detalhada de como o movimento ocorreu. Uma forma de amenizar essa limitação é utilizar timeframes menores para a realização da análise.

A outra limitação dessa técnica advém do fato de que o mercado não é formado pelo consenso entre os participantes. Investidores e traders operam com objetivos e motivações diferentes, utilizando métodos diversos e informações distintas. Isso leva à presença de ruídos e aleatoriedade na formação dos preços.

Sendo assim, é importante realizar a leitura dos candlesticks em conjunto com outras técnicas, como o uso de indicadores técnicos, uma boa leitura da movimentação do preço e análise fundamentalista. Dessa forma, é possível desenvolver uma estratégia que proporcione maior certeza e segurança para a realização dos investimentos.

Para quem busca maior facilidade na hora de investir, o uso do gráfico de candlesticks pode ajudar no desenvolvimento da análise do mercado devido à sua natureza visual e intuitiva. A obervação dos padrões dos candles também pode auxiliar na identificação e antecipação de uma tendência do mercado, maximizando as chances de realizar uma operação de sucesso.

O conhecimento da tradicional técnica contribui para determinar o melhor momento para compra ou venda de um ativo, mas as limitações do método não podem ser negligenciadas para que assim se opere de maneira eficaz e segura. Com o uso consciente da análise do gráfico de candlestick, muitos erros podem ser evitados e oportunidades aproveitadas!

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