Em meus anos trabalhando no mercado financeiro, uma das situações que encontrei e encontro ainda com muita frequência é a do investidor do segmento de alta renda que, apesar de já possuir patrimônio bastante considerável, mantém quase todo seu dinheiro aplicado nos produtos menos rentáveis e em alguns casos, não os mais conservadores, oferecidos pelos bancos.

Na maioria das vezes, o principal problema desse tipo de investidor não é a falta de informação: ele sabe que existem opções de aplicações melhores, mas não tem segurança em seus conhecimentos financeiros para avaliá-las por conta própria, e também não confia nas sugestões de investimentos oferecidas por aí, principalmente do seu gerente do banco. O medo de colocar em risco a poupança acumulada ao longo da vida o faz rejeitar qualquer aplicação financeira diferente do convencional.

Se você também sofre com isso, é hora de conhecer um conceito fundamental, cuja aplicação correta lhe permitirá obter maiores rendimentos: a diversificação de investimentos. Para saber mais sobre a importância de ter uma carteira de investimentos diversificada, além de dicas sobre como fazer isso na prática, continue a leitura deste artigo!

O que é diversificação de investimentos?

Todo tipo de investimento envolve algum nível de risco, entendido aqui como uma variação inesperada no retorno obtido (também chamada volatilidade). Boa parte do trabalho de gestão de recursos financeiros é tentar quantificar esses riscos, e principalmente identificar o que pode fazer com que eles se materializem.

Os riscos podem ser causados por aspectos particulares de uma determinada aplicação, como é o caso da falência de um banco, que afeta tanto seus acionistas como quem detém títulos como CDBs ou LCAs (poupança também tem esse risco!), sorte que contamos com o FGC nos protegendo nestes casos.

Além disso, a volatilidade também pode ser provocada por eventos de abrangência maior, como a situação macroeconômica e política do momento, que impactam de forma mais transversal as aplicações financeiras. Podemos citar como exemplo a queda na taxa Selic, que afeta praticamente todos os investimentos, desde a poupança até o mercado de ações.

Por esses motivos, a melhor forma de gerenciar os riscos dos seus investimentos é não concentrar os recursos em poucas aplicações. O ideal é construir uma carteira de investimentos com base na diversificação, ou seja, na distribuição do montante investido em várias aplicações diferentes, que estejam sujeitas a riscos de naturezas distintas.

Por que é importante ter uma carteira de investimentos diversificada?

A ideia é aparentemente simples, mas é tão genial que garantiu ao americano Harry Markowitz um Prêmio Nobel de Economia. O que ele propõe, em termos simplificados, é que o risco de uma carteira de investimentos não é a média do risco de cada ativo que a compõe; dependendo de como a carteira é construída, seu risco total pode ser até menor do que o risco das aplicações individuais. Parece mágica, mas é só a aplicação inteligente do conceito estatístico de correlação.

Vou explicar em termos práticos. Imagine que você aplique todo seu dinheiro em um título que lhe rende a Selic. As projeções para o próximo ano são as seguintes: se houver crise, a Selic subirá a 13%; se a crise não ocorrer, ela cairá para 7%. De forma simplificada, temos que seu retorno médio será de 10%, com variabilidade de 3% para mais ou para menos.

Então você começa a considerar a hipótese de comprar ações de uma empresa sólida, que já está no mercado há décadas, e que tem o domínio de seu setor. Especialistas estimam que, se a economia crescer, ela pode ter uma valorização de 40%. Porém, em caso de crise, a ação pode perder até 20% do seu valor. O retorno médio esperado desse investimento também é de 10%, mas seu risco é claramente muito maior.

Agora imagine que você distribua o dinheiro investido nesses dois ativos, sendo 90% no título indexado à Selic e 10% na compra da ação. O que acontece? Se a crise vier, o aumento da Selic compensará a queda no preço da ação; já se o cenário for positivo, a rentabilidade da carteira será beneficiada pela valorização da empresa, mesmo com o menor rendimento do título. O resultado final é que essa pequena diversificação mantém a rentabilidade média em 10%, reduzindo quase completamente o risco da carteira.

Como diversificar sua carteira de investimentos?

Como o trabalho de Markowitz nos mostrou, a diversificação de investimentos é importante não apenas para controlar a exposição do investidor a riscos, mas também muitas vezes possibilita um aumento na rentabilidade média obtida. Para que você também possa aplicá-la em sua carteira de investimentos, veja a seguir algumas dicas de como colocar este conceito em prática:

1. Diversifique entre renda fixa e variável

O exemplo apresentado anteriormente deixa claro que mesmo investidores conservadores devem direcionar uma parte de sua carteira de investimentos para ativos de renda variável, já que até mesmo um pequeno percentual alocado nessa categoria pode ter grande efeito sobre a rentabilidade total.

Além disso, este tipo de ativo normalmente apresenta correlação negativa com a taxa básica de juros; ou seja, ele se valoriza quando as taxas caem, o que em geral ocorre em cenários de crescimento econômico.

2. Diversifique os indexadores das aplicações de renda fixa

É importante também buscar a diversificação em cada categoria de investimento. Dentro da parcela destinada à renda fixa, distribua o montante aplicado em ativos vinculados aos diversos indexadores disponíveis, optando tanto por títulos prefixados quanto pós-fixados e atrelados à inflação.

É preciso evitar ainda a concentração em poucos emissores, procurando adquirir tanto títulos públicos quanto produtos bancários, evitando assim um excesso de exposição ao risco de inadimplência de uma única instituição. Para isso, ter uma conta em uma boa corretora de investimentos é de grande ajuda pois você acessa diversos emissores com uma única conta, e não se preocupa, tudo fica registrado no seu nome como no banco. Se tiver dúvidas estou aqui para te ajudar, só me mandar um e-mail ou whatsapp.

3. Diversifique os ativos de renda variável

A alocação em renda variável também deve considerar alguns critérios de diversificação. É recomendado, caso o investidor decida pela aplicação direta em ações, que ele escolha um conjunto de no mínimo cinco empresas para compor sua carteira. Estas devem preferencialmente atuar em vários setores da economia, de modo que cenários econômicos diferentes as afetem de forma distinta.

4. Considere também a diversificação internacional

Mesmo uma carteira com boa diversificação entre ativos de renda fixa e variável pode ser considerada arriscada se todos seus investimentos estiverem vinculados ao desempenho da economia brasileira, sempre muito instável. Por essa razão, é interessante ao menos considerar a alocação de parte de sua carteira em investimentos atrelados a mercados internacionais.

Isso pode ser feito de forma simples aplicando-se em moedas estrangeiras, e particularmente no dólar, que costuma funcionar quase como um seguro contra crises, valorizando-se quando todos os outros investimentos caem. Outra opção um pouco mais sofisticada, mas cada vez mais acessível para investidores brasileiros, é a abertura de uma conta em uma corretora no exterior, o que dá acesso a diversos mercados internacionais (como a Bolsa americana, por exemplo). Hoje, também encontramos fundos que aplicam 100% do seu patrimônio fora do país, é a melhor opção para quem está iniciando a diversificação internacional da sua carteira de investimentos, felizmente hoje encontramos ótimos fundos, tanto de renda fixa quanto de renda variável disponíveis no mercado. Posso te ajudar a encontrar o melhor para você.

5. Busque opções que simplifiquem a diversificação

Dependendo do volume de recursos de que o investidor dispõe, atingir o nível ideal de diversificação da carteira pode implicar em um excesso de complexidade no seu gerenciamento, além de aumentar os custos operacionais incorridos. Por isso, você pode lançar mão de opções que simplifiquem a aplicação dessa estratégia.

O melhor instrumento para alcançar essa simplificação são os fundos de investimento, principalmente para os investidores que querem direcionar parte de seus recursos para ambientes mais complexos, como os mercados acionário e cambial. São também o meio mais fácil de aplicar em mercados internacionais sem precisar fazer remessas de recursos para o exterior.

6. Procure ajuda profissional

Outra forma de conseguir uma carteira bem diversificada é contando com o apoio de um profissional especializado ou de uma assessoria para investimentos. Um bom assessor pode auxiliá-lo a selecionar as aplicações mais adequadas ao seu perfil, indicando a melhor composição de carteira para alcançar seus objetivos financeiros.

Como mostrei neste artigo, a aplicação de uma estratégia bem estruturada de diversificação permite que o investidor inclua em sua carteira de investimentos algumas aplicações mais arriscadas — e, por isso, com maior perspectiva de retorno —, ao mesmo tempo em que atua reduzindo os efeitos dos potenciais riscos incorridos.

Agora que você já sabe que uma carteira de investimentos diversificada é fundamental para obter bons rendimentos sem que a segurança de seu patrimônio seja colocada em risco, que tal conferir nosso artigo sobre como escolher um bom assessor para seus investimentos? Nele você descobrirá como esse profissional atua e o que esperar do seu trabalho, além de dicas sobre como fazer uma boa escolha. Confira!

E não esqueça, estou aqui para te ajudar, só entrar em contato.

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