A escolha por um investimento depende de vários fatores. Saber como calcular rentabilidade é uma das principais etapas para definir qual aplicação é a mais adequada. Afinal, as opções disponíveis são bastante variadas e têm características diferenciadas.

Por exemplo: há investimentos que isentam o Imposto de Renda (IR), enquanto outras fazem a cobrança conforme a tabela regressiva. Ainda há aqueles diretamente afetados pela inflação ou pela Selic, taxa básica de juros da economia.

Você sabe como definir o que é melhor considerando esse cenário? Se ainda tem dúvidas sobre o assunto, leia este post. Aqui, vou mostrar como analisar o ganho real que você poderá obter em cada modalidade. Acompanhe!

O que levar em consideração?

Ao analisar o retorno de um investimento, é inviável pensar exclusivamente na rentabilidade. Há outros aspectos que interferem nesse quesito — e você deve considerá-los.

Por exemplo: você analisa qual é o seu ganho real mensal e anual? Sabe o que ocorre com o passar do tempo? É bem provável que você responda “não”. Esse é um erro comum, mas muito prejudicial.

Saber calcular a rentabilidade permite fazer uma realocação do capital, tomar a decisão de aplicar mais dinheiro naquele investimento, mudar de corretora e mais. Nesse cenário, é preciso avaliar o tempo de investimento, a carência para o resgate e outras taxas e impostos que podem incidir.

O tempo de investimento se refere à data de vencimento da aplicação. A regra geral é que os de longo prazo oferecem uma rentabilidade maior do que aqueles que têm mais liquidez, ou seja, que permitem o resgate do capital mais rapidamente.

A carência é o período no qual você está impedido de vender o seu título. Ela pode coincidir com a data do vencimento, mas também pode ser diferente. Por exemplo: o papel pode ter seu término daqui a 7 anos, mas a partir de 3 meses é possível comercializar seu ativo.

Já as taxas e os impostos são variados. Nesse caso, é preciso avaliar cada aplicação, porque inexiste uma diretriz que valha para todos os investimentos.

O que preciso entender antes de calcular o rendimento da aplicação?

Há 3 conceitos principais que ajudam a realizar um cálculo mais adequado. Veja quais são eles:

Rentabilidade real

É o ganho que você efetivamente tem depois de descontar todas as taxas, os impostos e a inflação. Perceba que esse último item é um dos mais importantes, mas muitas vezes é ignorado.

O que acontece é que a inflação corrói o seu poder de compra e faz o seu dinheiro valer menos. Para entender, imagine o que era possível adquirir com R$ 100 há 10 anos e o que você consegue comprar agora com o mesmo valor. Percebeu como essa quantia, na prática, vale menos hoje?

Quando a inflação é relacionada a um investimento, torna-se fácil perceber que você pode perder dinheiro e até deixar de obter algum retorno — tudo porque esse índice desvaloriza o dinheiro que você tem e deixa guardado.

Rentabilidade anual e mensal

É um conceito válido para aplicações com retorno pós-fixado, caso dos títulos que variam de acordo com o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ou a Selic. Conforme esses indexadores alteram o seu resultado, a mesma coisa acontece com os rendimentos das suas aplicações.

Em outras palavras, isso significa que o valor obtido mensalmente é variável e que a rentabilidade anual será diferente da mensal justamente por conta dessa volatilidade.

Lucratividade e rentabilidade

É comum as pessoas confundirem esses 2 conceitos, mas é preciso saber diferenciá-los. O lucro é o valor que você recebe na sua conta-corrente. Já a rentabilidade é a porcentagem de aumento do seu patrimônio em determinado período.

Considerando essas explicações, vale a pena saber que, para investimentos, é mais comum falar em rendimento. Isso acontece porque o lucro depende do dinheiro aplicado. Já a rentabilidade faz uma análise percentual, que é proporcional.

E agora, como calcular rentabilidade?

Compreender esses conceitos permite que você coloque a mão na massa! Imagine, por exemplo, que você investiu R$ 1.000 em uma aplicação com duração de 3 anos. Nos primeiros 12 meses, o retorno foi de 20%. No segundo intervalo de tempo houve uma redução de 26%, e o terceiro apresentou uma alta de 34%.

Nesse contexto, você pode utilizar a fórmula dos juros compostos ou fazer o cálculo ano a ano. Para simplificar, veja como ficam os resultados:

  • ano da aplicação: R$ 1.000 (capital inicial);

  • ano 1: R$ 1.200 (R$ 1.000 + R$ 200 referente ao retorno de 20%);

  • ano 2: R$ 888 (R$ 1.200 – R$ 312 relativo à perda de 26%);

  • ano 3: R$ 1.189,92 (R$ 888 + R$ 301,92 pertinente ao ganho de 34%).

Ao final de todo esse período, você efetivamente ganhou R$ 189,92, porque R$ 1.000 já era referente ao valor da quantia inicialmente aplicada. Perceba que esse investimento sofre muita volatilidade, tanto que você chegou a ter perdas no segundo ano. Nesse contexto, a rentabilidade anual é de 1,038%.

Agora, como fazer o cálculo de uma aplicação em renda fixa, que é mais segura e tem chance de perda reduzida? Responderei essa pergunta com outro exemplo. Imagine um CDB com prazo de 1 mês e rentabilidade de 90% do CDI.

Essa aplicação sofre incidência de IR. Conforme a tabela regressiva, o percentual é de 22,5%. Já no período analisado o CDI fechou em 1,15%. Assim, você pode calcular: 1,15% x 90% = 1,035% ao mês, que é a rentabilidade bruta. Para descobrir a líquida, que prevê o desconto de IR, tem-se: 1,035% x (1 – 22,5%) = 0,77% ao mês.

Nesse momento, pense em uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), que possui isenção de IR. Considere o prazo de investimento também de 1 mês, o CDI de 1,15% e rentabilidade de 85% do CDI. Assim, chega-se a: 1,15% x 85% = 0,9775% ao mês.

Nesse cenário da renda fixa, a LCA é mais interessante, apesar de o percentual em relação ao CDI ser menor do que no CDB. Essa diferença ocorre justamente devido à isenção do IR.

Se pensarmos na mesma comparação para o prazo de 1 ano com um CDI de 13,8% ao ano, o resultado do CDB é de: 13,8% x 90% = 12,42% ao ano. Ao descontar o IR (que passa para uma alíquota de 20%), tem-se: 12,42% x (1 – 20%) = 9,936% ao ano.

Já o resultado da LCA é: 13,8% x 85% = 11,73% ao ano. Assim, nesse prazo maior, a Letra de Crédito apresenta uma rentabilidade melhor do que o CDB. Entendeu como faz diferença realizar esse cálculo?

Em resumo, tenha em mente que saber como calcular rentabilidade é imprescindível para fazer uma escolha adequada. Seja na renda fixa ou na variável, é fundamental compreender as diferenças para aumentar o seu retorno.

Gostou dessas dicas? Aproveite e siga o Pense Investimentos no Facebook e no YouTube para conferir outras sugestões relevantes!

Guia Pratico 2.0 Investindo em Tesouro Direto