Não são poucas as notícias que comentam sobre a crise econômica ou apontam para os problemas fiscais do Brasil. A pergunta que imediatamente surge é: nesse contexto confuso, como ficam meus investimentos em títulos públicos e afins?

Levando isso em consideração, preparei este texto com o objetivo de trazer algumas informações pertinentes sobre esse tema. Afinal, como essas problemáticas alteram, de fato, a maneira de investir nossos recursos?

Se você, assim como eu, se interessa por esse assunto, continue lendo o texto até o fim para saber mais!

Quais são os problemas fiscais do Brasil?

Em termos sintetizados, podemos resumi-los aos gastos com as folhas de pagamento de funcionários ativos e com os aposentados. O alto valor despendido com a previdência social, aliás, é visto como o maior motivador das reformas propostas pela polêmica PEC n.º 287/2016.

Isso se dá porque há uma tendência de envelhecimento na população brasileira, bem como uma progressiva redução na taxa de natalidade. Ou seja, estamos ficando mais velhos e tendo menos filhos. Essa conjunção de fatores já aconteceu em diversos países europeus, que também precisaram pensar em alternativas aos modelos antigos para amparar sua população idosa.

Qual é a relação deles com a crise econômica?

A dívida pública é o melhor indicador que temos à disposição para avaliar o quadro fiscal do Brasil. Nesse sentido, alguns fatores devem ser considerados, como a redução do PIB, a queda de receita e o aumento das despesas. Todos esses aspectos podem ser resumidos naquilo que frequentemente chamamos de recessão econômica — a tão popular crise na economia.

Nesses momentos, o investimento estrangeiro em nosso país naturalmente diminui. O ponto mais surpreendente desse fato é que isso não necessariamente significa que estamos vivendo uma situação que não é propícia para fazer investimentos próprios, comprando títulos e afins. Muito pelo contrário, já que o contexto recessivo costumeiramente gera algumas oportunidades incomuns em períodos mais estáveis.

Além disso, o impeachment e as consequentes transições políticas também causaram uma grande insegurança no investidor. Por isso, é compreensível que nos perguntemos se esse não é o cenário mais adequado para deixar nosso dinheiro parado, sem correr riscos.

No entanto, podemos dizer que, de uma perspectiva generalizada, as taxas de retorno daquilo que é investido tendem a crescer em tempos críticos. Por outro lado, conforme a economia nacional se restabelece, a tendência é que elas caiam. Sendo assim, é interessante se aproveitar justamente da fase de mudanças, visando a uma boa rentabilidade.

Como esse contexto afeta os investimentos?

Feitas essas considerações, é oportuno refletirmos como esse panorama afeta nossas aplicações na prática e, a partir disso, escolher os melhores títulos. Será que LCI e LCA continuam valendo a pena? É interessante arriscar mais?

A categoria de investimento mais afetada pelos problemas fiscais do Brasil foi a dos títulos públicos. Isso porque estamos “emprestando” dinheiro para o governo quando compramos um título emitido pelo Tesouro. A contrapartida desse empréstimo são os juros pagos a nós pelos cofres públicos na forma de retorno.

Você emprestaria dinheiro para alguém que está sem emprego? Provavelmente não, porque há um enorme risco de você não receber aquilo que lhe é de direito.

Pois bem! O mesmo acontece em épocas nas quais a economia brasileira se encontra estagnada ou passando por dificuldade. O país está no “vermelho” e os investidores ficam retraídos.

No entanto, no ano de 2017, após o início dos trâmites burocráticos em torno das reformas, esses títulos voltaram a ter uma boa remuneração. Esta matéria, publicada no mês de maio pela Folha de S. Paulo, registrou esse acontecimento. Isso implica uma retomada dos títulos públicos, porque são aplicações seguras, de baixo risco, excelente liquidez e boa rentabilidade.

Além disso, é válido ressaltar que, diferentemente de uma pessoa física, a chance do governo não honrar os compromissos com seus credores é mínima. Quem afirma isso é José Roberto Afonso, pesquisador de economia aplicada da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em entrevista concedida ao portal UOL.

Segundo o especialista, “poucos governos no mundo têm um caixa tão grande”. Afonso ainda explica que “o que está acontecendo é um problema de fluxo. O governo gasta mais do que arrecada. Mas não falta dinheiro para pagar a dívida já contratada”.

Ou seja, por mais que a administração pública faça cortes de gastos e atravesse um momento instável, esses processos não afetam compromissos financeiros como o pagamento dos títulos do Tesouro. Portanto, ter medo de não ser pago nesse tipo de aplicação, por maiores que sejam os problemas econômicos brasileiros, é um erro que não devemos cometer. E não vamos esquecer que o governo tem a máquina de imprimir dinheiro também.

Quais investimentos escolher?

Isso varia muito, é claro, segundo o seu perfil de investidor. Podemos adiantar, no entanto, que o investimento na bolsa de valores volta a ser uma boa opção assim que a economia se reerguer e as reformas da previdência ficarem estabelecidas. A expectativa, portanto, é de que a bolsa suba com a melhora da situação econômica e fiscal do país. Nunca podemos esquecer que a Bolsa antecipa muito estes movimentos, ou seja, não espere a economia se recuperar para comprar ações, uma boa hora pode ser agora pois estamos iniciando um ciclo muito longo de recuperação econômica e melhora nos balanços da empresa.

Caso você prefira as escolhas mais conservadoras, os fundos multimercado despontam como opções a serem consideradas nesse contexto de incertezas. Eles são alternativas viáveis para quem sente receio de investir na bolsa.

Já mencionados, os investimentos em renda fixa também oferecem segurança, mas, para conseguir a melhor rentabilidade com eles, é preciso se inteirar sobre as diferentes taxas reguladoras de juros (Selic, CDI) e escolher uma opção que lhe agrade em termos de liquidez, mínimo a ser investido e assim por diante. Existem, ainda, produtos isentos de imposto de renda.

Outra medida indicada é contar com uma assessoria de investimentos. Um profissional qualificado e especializado dispõe de todos os meios para indicar aplicações que respeitem seus objetivos e, ao mesmo tempo, considerem o cenário econômico atual.

O importante é se preparar e saber tirar proveito de todas as mudanças que estão acontecendo. Os problemas fiscais do Brasil não precisam ser encarados como sinais negativos por nós que gostamos de investir. O ideal é compreendê-los e saber que esse também pode ser um momento de boas oportunidades.

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Guia Pratico 2.0 Investindo em Tesouro Direto