O mercado de renda fixa no Brasil não para de crescer e se diversificar. Com cada vez mais possibilidades de investimento, temos a disposição um grande leque de títulos e aplicações diferentes para o investidor que procura segurança, mas não quer ficar apenas na poupança.

Uma dessas alternativas são as letras de câmbio — um investimento de baixo risco e boa rentabilidade que consegue atender desde o investidor mais conservador até o mais arrojado.

Entretanto, por ser uma aplicação pouca difundida, muita gente sequer conhece do que se trata. Mas se você é um desses, não se preocupe: para entender o que é esse tipo de aplicação, suas vantagens, desvantagens e como investir em uma letra de câmbio, confira o nosso artigo!

O que é letra de câmbio?

As letras de câmbio, também conhecidas pela sigla LC, são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras, que utilizam esse instrumento para captar recursos e financiar suas atividades.

Ou seja, ao aplicar em uma letra de câmbio, o investidor empresta seu dinheiro para empresa emissora, que em troca paga um juros por esse empréstimo. Esses juros, devolvidos ao investidor ao final da aplicação, formarão a rentabilidade da letra de câmbio.

Seu funcionamento é semelhante ao CDB, mas com uma diferença: enquanto o primeiro é emitido pelos bancos, a letra de câmbio é oferecida apenas por sociedades de crédito, investimento e financiamento — também conhecidas como financeiras.

Inicialmente esse fato pode não fazer diferença, mas, na verdade, essa é a grande vantagem desse tipo de investimento.

Como as financeiras não têm o mesmo volume financeiro dos grandes bancos, o risco envolvido de quebra é maior. Logo, para compensar isso, a tendência é que elas ofereçam taxas de rendimento maiores para atrair aos clientes.

Como o investidor em letras de câmbio tem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de até R$250 mil em cada instituição, o risco envolvido no investimento é praticamente nulo, fazendo com que esse tipo de aplicação seja bastante atrativa.

Quais os tipos de letra de câmbio?

Existem três modalidades de letra de câmbio. São elas:

1. Letra de câmbio pós-fixada

A letra de câmbio pós-fixada é a modalidade mais popular desse tipo de investimento. Nesse caso, a aplicação terá seu rendimento vinculado a algum indexador, como o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) ou índices de inflação, como o IPCA.

Ou seja, a rentabilidade da letra de câmbio pós-fixada flutuará durante todo o período da aplicação, acompanhando o seu índice de referência. Mesmo que existam projeções que estimem como será o desempenho da aplicação, só será possível saber quanto a letra de câmbio renderá no final do investimento.

A aplicação em títulos pós-fixados é interessante para quem procura proteção do seu capital. Ao adquirir papéis referenciados pela inflação, por exemplo, o investidor garante que o poder de compra do valor investido permaneça o mesmo até o vencimento do papel.

2. Letra de câmbio prefixada

Assim como os demais títulos prefixados, a rentabilidade desse tipo de letra de câmbio é definida no momento da aplicação.

Logo, para investir em uma letra de câmbio prefixada, é preciso ter um olhar atento para o cenário econômico no momento. Se a perspectiva for de baixa nos juros, aplicar em uma LC com uma taxa prefixada superior ou igual à taxa atual é uma boa estratégia.

Porém, se os juros subirem durante o período da aplicação, o investidor perderá dinheiro, já que sua rentabilidade estará “travada” na taxa que escolheu ao realizar o investimento.

3. Letra de câmbio híbrida

Como o próprio nome sugere, esse tipo de LC é um misto das outras duas modalidades.  Parte de rentabilidade é prefixada em uma taxa de juros, parte é atrelada a um indexador pós-fixado, que pode ser o CDI ou IPCA. Dessa forma, a letra de câmbio terá um rendimento fixo e uma parte variável.

Um exemplo disso seria uma LC com IPCA + 6,5% ao ano. Nesse caso, o capital do investidor estaria ao mesmo tempo protegido da inflação e recebendo uma remuneração fixa acima disso.

Qual o valor mínimo para aplicação?

Normalmente, o investimento mínimo para aplicar em uma letra de câmbio é maior que outros títulos do mercado de renda fixa, como CDBs e o Tesouro Direto.

Os aportes mínimos nas letras de câmbio variam entre R$ 10 mil e R$ 30 mil. O tamanho da aplicação também influencia na rentabilidade da LC: quanto mais alto o valor investido, melhor será o rendimento oferecido pelo papel.

Quais os prazos de investimento e carência?

Uma letra de câmbio pode ter vários prazos de investimento. É possível encontrar no mercado desde opções com liquidez diária até 2 anos de vencimento. Quando mais longo o período de aplicação, mais interessante será o rendimento e menor será o imposto de renda a ser pago

Porém, o resgate da letra de câmbio tem carência atrelada ao seu vencimento. Ou seja, se o investidor adquirir uma LC de 2 anos de carência, o dinheiro não poderá ser retirado antes desse período.

Só será possível resgatar o valor se o título for vendido para outro investidor — o que pode fazer todo o rendimento do período ser perdido.

Como funciona a tributação nesse tipo de investimento?

Assim como o CDB e o Tesouro Direto, a letra de câmbio tem tributação regressiva, aplicada diretamente na fonte quando o título for resgatado. Ou seja, quanto maior for o tempo de investimento, menor o imposto de renda a ser pago.

As alíquotas do Imposto de Renda sobre as letras de câmbio são:

  • resgate com menos de 6 meses: 22,5% sobre a rentabilidade;
  • resgate entre 6 meses e 1 ano: 22,5% sobre a rentabilidade;
  • resgate entre 1 ano e 2 anos: 17,5% sobre a rentabilidade;
  • resgate acima de 2 anos: 15% sobre a rentabilidade.

Mas por ter um retorno mais elevado, as letras de câmbio acabam compensando a incidência de tributação, mantendo uma rentabilidade competitiva em relação a outras aplicações.  

E quais as vantagens e desvantagens da letra de câmbio?

Em resumo, as principais vantagens e desvantagens ao investir em letras de câmbio são:

Vantagens:

  • Rentabilidade acima da média: quando comparada com outras aplicações de renda fixa, como poupança, Tesouro Direto e CDB, a letra de câmbio se destaca com remuneração mais atrativa.
  • Baixo risco: assim como outros títulos oferecidos por bancos e financeiras, a letra de câmbio é resguardada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A garantia vai até o valor de até R$ 250 mil por CPF em cada emissor.
  • Possibilidade de diversificação: por ser uma aplicação rentável e segura ao mesmo tempo, a letra de câmbio se torna uma opção interessante para  investidores arrojados, mas que procuram diversificar e proteger sua carteira com um bom papel.

Desvantagens

  • Valor mínimo elevado: o aporte mínimo para se aplicar em uma a letra de câmbio é maior do que outras alternativas na renda fixa, como CDB e Tesouro Direto. Além disso, as melhores rentabilidades estão disponíveis apenas para quem investe um volume maior de capital.
  • Tributação maior: ao contrário de papéis como a LCI, os rendimentos da letra de câmbio têm incidência de Imposto de Renda diretamente na fonte. Porém, mesmo depois da tributação, a LC consegue ter rentabilidade igual ou maior do que outros produtos de renda fixa.
  • Baixa liquidez: só é possível resgatar o investimento em Letra de Câmbio na data de vencimento do título, prejudicando a liquidez do papel. Caso o investidor queira retirar seu dinheiro antes do prazo definido perderá tudo que o papel rendeu durante o período.

Agora que você já sabe tudo sobre as letras de câmbio, não perca mais tempo! Estude seu perfil de investidor e veja como esse tipo de aplicação pode se encaixar na sua estratégia de investimentos.

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