Felipe Mahler

Guardar dinheiro para ter uma velhice confortável com certeza não é umas das coisas mais legais e motivadoras que existem. Certamente, deixar de lado a ansiedade e a vontade de gastar essa reserva para ter prazer imediato ao invés de cumprir a meta é fundamental para chegar à tão sonhada previdência, ou, à tão esperada independência financeira.

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Fora os desafios normais que nosso cérebro nos aplica todos os dias, sem contar o marketing e a vontade incontrolável de consumir, ainda temos a sopa de letras dos planos tradicionais de previdência (VGBL e PGBL), a maldita taxa de carregamento, altas taxas de administração e a baixa rentabilidade que alguns planos entregam.

Enxergo como previdência todo dinheiro que reservamos para uma aposentadoria tranquila, seja ela feita numa carteira de investimentos tradicionais, com fundos, CDBs, títulos públicos, ações e por aí vai; seja feita nos planos VGBL e PGBL, oferecidos pelas principais seguradoras do mercado.

1 – Vantagens de planos tradicionais

A principal vantagem dos planos tradicionais é a facilidade, pois, todos os meses, de forma automática, ocorre o débito do valor escolhido que vai direto para o plano. Para quem sofre de nunca conseguir se organizar adequadamente e “fazer sobrar”, essa modalidade pode ajudar muito, pois não depende de iniciativa do poupador para tal, mas, na vida e nos investimentos, nem sempre o que é mais fácil é o melhor.

2 – Evite taxa de carregamento sempre

A principal pegadinha destes planos é a chamada taxa de carregamento, onde a instituição cobra um valor, que em alguns casos chega a 8% (ou mais) do valor aportado. Por exemplo: o poupador contribui R$ 1.000,00 para o plano. Desses, R$ 920,00 vão para o fundo e R$ 80,00 para o banco ou seguradora. Muitos só se dão conta disso anos depois, quando essa taxa pode significar, em diversos casos, quase um ano de rentabilidade. Em outras palavras, a cada aporte, atrasamos um ano nosso sonho. Planos mais justos para o poupador cobram essa taxa na saída, ou seja, se não ocorrer resgate antes de 36 meses da aplicação, não se paga nada. Essa taxa então é conhecida por “taxa de carregamento de saída”.

3 – Saiba escolher o tipo de plano

Outro vilão é o tipo do plano: de forma resumida, o que é importante saber é que nos PGBLs se tem um desconto de até 12% da base tributária sobre a renda do ano. Por exemplo: se o poupador obtém uma renda de R$ 200.000,00 no ano, o IR seria de R$ 55.000,00 (R$ 200.000 x 27,5%). Com essa mesma renda, essa pessoa poderia contribuir até R$ 24.000 para um PGBL, assim, a renda bruta anual seria de R$ 176.000 e o IR a ser pago seria de R$ 48.400, ou seja, uma economia de R$ 6.600 na mordida do leão. Mas como o velho ditado já diz que não existe almoço grátis, a desvantagem é que, ao sacar esse valor do PGBL, o IR é cobrado sobre o valor total e não somente sobre o lucro, como no caso VGBL (que cobra imposto somente sobre o lucro). Isso leva muitas pessoas a crer que essa vantagem é, na verdade, uma desvantagem, levando-as a optar por não utilizar essa forma de aplicação.

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Nos tempos atuais onde a expectativa de vida é crescente e, para piorar ainda mais, os juros mundiais caminham para perto de zero (onde, em qualquer prazo, nosso rendimento é nada), o primeiro passo é poupar. Guardar uma boa parte dos nossos ganhos para essa tão longínqua meta e, não menos importante, fugir das pegadinhas dos produtos tão comerciais que encontramos por aí é um caminho mais certo para atingir esses objetivos.

4 – Cuide com atenção de seu dinheiro

Sem dúvida, a grande dica é: busque conhecimento e administre você, juntamente com um profissional, esse sonho. Não terceirize nem delegue isso a terceiros. No começo pode não ser tão fácil, mas, sem dúvida, compensa muito.

5 – Use a portabilidade

Agora, se você já começou um VGBL ou PGBL, não se desespere. Procure um profissional independente e faça uma avaliação, afinal, portabilidade é direito, não custa nada e, hoje em dia, podemos fazer tudo de forma digital. É muito simples e prático, como trocar de operadora de celular.

Guia Pratico 2.0 Investindo em Fundos Imobiliários