O objetivo final de todo e qualquer investimento é a obtenção do lucro. Contudo, quando se fala em investir dinheiro, o risco se torna um fator onipresente, seja em menor ou maior grau. Os bons investimentos dependem de estratégias eficazes e seguras. E é aqui que entra em ação um mecanismo chamado hedge, o qual está diretamente relacionado ao mercado futuro.

Ao conhecer melhor importantes ferramentas de investimento, como o hedge, você passa a diversificar sua carteira com mais confiança e segurança.

Mas, na prática, como tudo isso ocorre? Para entender melhor como funciona essa relação entre o hedge e o mercado futuro, continue a leitura!

O que é hedge?

Com o hedge, o investidor compra ou vende ativos (commodities, moedas ou ações são os mais comuns) a um preço previamente estabelecido. Na prática, isso significa que há uma proteção contra as praticamente inevitáveis oscilações apresentadas pelo mercado financeiro.

É interessante observar que, nesse primeiro momento, a medida não visa o lucro, em si. Na verdade, ela simplesmente assegura que o preço de aquisição ou comercialização do ativo envolvido na transação será mantido.

Como funciona o processo hedge?

A BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) é a instituição encarregada de reger os contratos relacionados às operações com hedge. Caso você não tenha a menor ideia de como efetuar esse tipo de investimento, fique tranquilo! Conheça alguns exemplos que ilustram bem essas situações.

Exemplo associado à produção e venda do milho

Os produtores agrícolas sempre rendem bons exemplos, pois são aqueles que mais utilizam a estratégia hedge. Então, vamos considerar um produtor de milho.

Entre uma safra e outra, ele consulta a BM&F e descobre que o preço da saca de milho está a R$ 30,00. Se o custo para produzir cada saca é de R$ 20,00, o produtor pode, então, assegurar — na pior das hipóteses — a manutenção de R$ 10,00 por saca após a venda.

Evidentemente, o produtor não sabe como o mercado se comportará no decorrer da colheita do milho. Uma crise financeira pode impactar consideravelmente o preço do produto. Note que, a depender do cenário, pode haver tanto alta, como queda de preços.

Como é possível supor, no segundo caso, o produtor teria que lidar com uma diminuição de uma futura margem de lucro ou até mesmo prejuízo. No entanto, a operação hedge evita a catástrofe da seguinte maneira:

Primeiro cenário

Meses depois da operação de venda do milho com a cotação hedge, o preço da saca do produto pode até subir, alcançando os R$ 40,00, por exemplo. Desse modo, aquele mesmo produtor “perderia” R$ 10,00 por saca — de acordo com o preço estabelecido pela BM&F anteriormente, que era de R$ 30/saca (dentro da operação hedge).

Por outro lado, o mercado físico lhe proporcionaria um ganho de R$ 10,00. Assim, ele manteria a margem de lucro, já que o preço de cada saca acaba ficando em R$ 30,00 — após os ajustes mencionados.

Segundo cenário

É igualmente aceitável que ocorra o contrário: a queda do preço de venda do milho produzido. Vamos supor que, no mesmo período anterior (alguns meses depois) a saca do milho está a R$ 20,00, e não a R$ 40,00.

Mesmo ao comercializar seu milho a R$ 20,00 por saca no mercado físico, o produtor verá esse preço se ajustar para R$ 30,00 — preço de venda negociado previamente via hedge.

Qual a relação entre o hedge e o mercado futuro?

Surgimento do mercado futuro

Historicamente, o hedge sempre esteve associado ao mercado agrícola. No século XIX, produtores rurais dos Estados Unidos decidiram que era preciso se proteger contra o “excesso” de oferta dos produtos no mercado.

Ao negociarem os preços antecipadamente ao momento da entrega do produto, os produtores evitavam possíveis perdas.

A prática também serviu aos interesses dos comerciantes, pois eles se precaviam contra preços abusivos, consequência de uma baixa produção em um dado ano, por exemplo.

Esse tipo de negociação antecipada dos preços de venda e compra deu início ao que se convencionou denominar mercado futuro. Após o aprimoramento desse tipo de operação, surgiram os chamados derivativos.

A função dos derivativos

Os derivativos recebem essa denominação porque são investimentos derivados de determinados valores. Nesse caso, o mercado futuro aparece como uma das operações mais comuns. Outra operação corriqueira é o mercado a termo.

Basicamente, ambos os mercados proporcionam proteção ao investimento. Porém, no mercado futuro, há maior liquidez. Os contratos (de compra ou venda de um ativo) podem ser repassados a um terceiro investidor antes do prazo final de vigência da transação.

Como usar o hedge nas operações com ações?

É importante salientar que o hedge não se limita às commodities agrícolas. Existem ações da bolsa de valores que apresentam grande tendência à volatilidade.

Para se antecipar às quedas abruptas de preços desses papéis, você pode recorrer aos contratos de Índice Futuro. Como a excessiva volatilidade estará amparada em uma constante liquidez (há uma elevada quantidade de investidores comprando e vendendo), pode-se evitar uma perda ou garantir um lucro futuro.

Assuma que sua carteira de ações está cotada a R$ 110.000,00, por exemplo. Devido a uma queda no mercado, esse valor pode cair, mas o hedge pode ajudar a mantê-lo ou até mesmo elevá-lo.

Para evitar prejuízos com a desvalorização dos papéis, basta investir na venda de parte das ações no mercado futuro. Desse modo, você se antecipa ao problema.

Vale frisar que essa variante de contrato é um derivativo do próprio Índice Bovespa. Como não se trata de uma operação simples, é altamente recomendável que você consulte e seja orientado por especialistas nessa modalidade de investimento.

Qual é a importância do hedge no mercado futuro?

No mercado futuro, a grande vantagem do hedge reside na sua contribuição para o planejamento de investimento. Ao utilizar esse mecanismo de proteção, o investidor enxerga mais nitidamente qual será a média da margem de lucro, tendo em vista os custos advindos da produção e as oscilações do mercado em questão.

Após conhecer melhor a relação entre as operações com hedge e o mercado futuro, você estará mais apto a investir de uma forma calculada, realmente estratégica.

Saiba que você não está sozinho nesse processo. Aproveite o momento propício para investir e entre contato com um de nossos especialistas. Eles estão prontos para orientá-lo em direção aos investimentos de sucesso!

Guia Pratico 2.0 Investindo em Tesouro Direto