Você sabia que existem investimentos em produtos financeiros que são isentos de imposto de renda?

A retenção do imposto de renda é o principal motivo de muitas pessoas sentirem receio em retirar o dinheiro da poupança e utilizá-lo para realizar algum tipo de investimento.

Meu objetivo com este artigo é apresentar 5 dos principais produtos financeiros que possuem essa isenção, bem como mostrar se realmente vale a pena investir em aplicações desse tipo. Confira:

Isenção do IR não é garantia de maior rentabilidade

Antes que eu comece a lhe apresentar os tipos de investimentos isentos do IR, preciso alertar para um detalhe: isenção de IR não é garantia de maior retorno sobre o capital investido.

Isso porque existem outros produtos financeiros mais rentáveis que são isentos do imposto.

Sendo assim, mesmo com a tributação do IR, no final das contas a rentabilidade acaba sendo maior. Vou explicar melhor citando um exemplo:

Suponhamos que um investimento tributado pelo IR, como o CDB, possua uma rentabilidade de 120% do CDI e o valor seja investido por dois anos, sendo a alíquota do imposto de 15%, nesse caso (sempre somente sobre o lucro).

Executando os cálculos teríamos um retorno de aproximadamente 102% do CDI para este investimento em CDB. (120 – 15% = 102), como efeito de comparação um CDB de 120% do CDI tem a mesma rentabilidade de uma LCI ou LCA de 102% CDI.

Agora, vamos aos 5 exemplos de investimentos que não são alcançados pelo IR.

Letra de crédito imobiliário (LCI)

LCIs são investimentos de renda fixa, lançados no mercado pelo bancos com o objetivo de oferecer apoio a empréstimos imobiliários.

Nos últimos anos, devido à isenção do imposto de renda, esses títulos têm sido os mais procurados pelos investidores individuais. (Vale dizer que, mesmo sendo muito procurado hoje, com a tendência da queda dos juros no Brasil dificilmente será um bom investimento para prazos maiores do que 6 meses)

Eles são emitidos por instituições financeiras – bancos comerciais, múltiplos ou de investimento, bem como por sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo e companhias hipotecárias.

remuneração da LCI pode ser pós-fixada (CDI) ou pré-fixada.  Normalmente é pós-fixada, ou seja, o investidor acorda com o banco um % do CDI até o vencimento.

É importante lembrar que as LCIs têm carência obrigatória de 90 dias, ou seja, não podem ser resgatadas antes de três meses, contados a partir da aquisição.

Letra de crédito agrícola (LCA)

As LCAs têm muitas características em comum com as LCIs, abordadas no item anterior; elas também são emitidas por instituições financeiras, porém o objetivo dos recursos adquiridos é diferente da LCI.

Do ponto de vista dos investidores, elas são praticamente a mesma coisa, o que muda é a destinação do valor, que é exclusivamente dedicado à concessão de crédito para o setor agrícola, daí o nome.

Vale ressaltar que os riscos tanto da LCI quanto da LCA são considerados baixos.

O baixo risco desses investimentos se dá pelo fato de contarem com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o mesmo que garante o baixo risco da poupança.

Se a instituição emissora do título falir, o investidor terá o seu investimento ressarcido pelo FGC, no limite de até 250 mil reais. Mas claro, essa proteção tem limite, por isso sempre devemos entender mais sobre o banco que estamos investindo e sua solidez.

Certificado de recebíveis imobiliários (CRI)

O CRI é um título de renda fixa emitido por empresas para o apoio aos créditos e empréstimos imobiliários.

Ou seja, são contratos baseados em algum tipo de dívida, o que dá a seu proprietário o direito de receber o pagamento.

Vou exemplificar para facilitar o entendimento:

Imagine que uma construtora venda apartamentos residenciais ainda “na planta”. Ela pode esperar que todos os compradores paguem pelos imóveis, algo muito raro de acontecer nos dias de hoje, ou contratar uma securitizadora para reunir os contratos de financiamento dos compradores em CRIs e vendê-los a investidores.

Portanto, a construtora recebe à vista e transmite aos investidores dos CRIs os direitos de receber os pagamentos da dívida e o imóvel fica de garantia. Na maioria das vezes é um investimento muito seguro e rentável.

Certificado de recebíveis do agronegócio (CRA)

Os CRAs também são valores mobiliários emitidos exclusivamente por empresas. No entanto, diferentes dos CRIs, são remunerados por meio de recebíveis concedidos à cadeia do agronegócio.

Os investidores que optam pela aplicação nos CRAs promovem o desenvolvimento de uma série de atividades relacionadas ao agronegócio.

Informações importantes sobre o CRI e o CRA

Antes de prosseguir com os outros tipos de produtos financeiros isentos do IR, preciso lhe passar uma informação importante sobre o CRI e o CRA.

Apesar de ambos os títulos serem de renda fixa, eles possuem um risco diferente que o LCI e a LCA, estes, não contam com a garantia do FGC, ou seja, os investidores são expostos aos riscos da empresa e as garantias concedidas para estes títulos. Nem sempre é um risco ruim ou maior, mas sim um risco diferente. Por isso, uma assessoria adequada é ainda mais importante nesses casos.

Além disso, esses investimentos nem sempre tem alta liquidez (o mercado destes títulos está cada vez mais maduro e com isso cada vez mais líquido; vale citar também que na maioria das vezes, os prazos são maiores que os de outros investimentos de renda fixa; Este tipo de investimento nem sempre é muito acessível a pequenos investidores, pois requerem valores mais elevados.

Debêntures de infraestrutura

O último investimento isento do imposto de renda que trago para você hoje é a debênture de infraestrutura.

Para entender o conceito do investimento, preciso lhe apresentar a definição de debênture: um título emitido por uma empresa que têm como objetivo atrair recursos financeiros para investir no seu próprio crescimento.

Quando o investidor adquire uma debênture, emitida por uma empresa, torna-se uma espécie de “credor” da companhia, tendo o valor investido retornado, após um determinado período de tempo, acrescido dos juros, que são os rendimentos isentos de imposto de renda.

Sendo assim, as debêntures de infraestrutura são títulos emitidos especialmente para as empresas envolvidas em projetos de melhorias na infraestrutura do país. A emissão desses títulos vem se tornando cada vez mais comum no Brasil.

É importante que o investidor, antes de escolher o investimento apenas pelo simples fato de não haver tributação do IR, verifique a rentabilidade dele.

Como você viu no primeiro item deste artigo, é possível que investimentos não isentos como CDB, Fundos, Previdência e por aí vai, tenham uma rentabilidade maior do que os aqui apresentados, mesmo após aplicada a alíquota do imposto. Fazer a conta e comparar sempre é o mais indicado.

Verifique também o prazo da aplicação, pois a alíquota do tributo varia de acordo com o tempo de permanência do investimento, seguindo uma tabela progressiva da seguinte forma: 25% para investimentos de até 180 dias; 20% entre 181 e 360 dias; 17,5% entre 361 e 720 e, por fim, 15% para investimentos superiores a 720 dias. Novamente, sempre sobre o lucro e não sobre o montante total.

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Guia Pratico 2.0 Investindo em Fundos Imobiliários