Quem acompanha o cotidiano do mercado financeiro (ações) provavelmente já se deparou com siglas como PETR3, PETR4, KROT3, BBAS3, entre tantas outras. Num ambiente de negócios dinâmico, como a bolsa de valores, conhecer essa verdadeira “sopa de letrinhas” pode ser muito útil para monitorar os preços dos ativos de modo mais rápido e preciso.

Na verdade, tais combinações de letras e números correspondem aos códigos de negociação de vários ativos no mercado de capitais, como ações de empresas, fundos de investimentos etc. Da mesma forma que o CEP é indispensável para se enviar uma correspondência, o código de um ativo é necessário para se poder negociá-lo na bolsa.

Para não ficar com dúvidas na hora de investir, confira a seguir o significado dessas letras e números, em geral, e saiba o que são PETR3, PETR4, KROT3 e BBAS3. Boa leitura!

O que são e para que servem os códigos das ações?

As ações são um dos tipos de ativos mais populares negociados na bolsa de valores brasileira, atualmente chamada de B3. Nesse mercado acionário, estão listadas dezenas de empresas, dos mais variados segmentos, como petroquímico, siderúrgico, financeiro, educacional, varejista, hoteleiro, entre outros.

Embora no dia a dia seja comum ouvir no noticiário econômico os nomes das companhias, por exemplo, Petrobras, Ambev, Itaú, Banco do Brasil, Kroton, entre outras, na hora de negociar na bolsa é preciso ter o código de cada ação.

Caso o investidor não saiba esse tipo de dado, ele não poderá operar nos home brokers das corretoras de valores, para comprar ou vender ações. Além disso, se ele digitar a combinação de letras e número errada, aplicará recursos em um ativo diferente do pretendido.

Conforme convenção da B3, os códigos de negociações das ações possuem quatro letras maiúsculas e um número, por exemplo, PETR3, PETR4, KROT3 e BBAS3. As letras fazem menção ao nome da companhia, enquanto o dígito especifica o tipo de ação.

Por exemplo, o número 3 caracteriza as ações ordinárias, e o 4, as preferenciais. Já os algarismos 5, 6, 7 e 8 se referem às ações preferenciais, respectivamente, de classe A, B, C e D. De modo geral, as ações ordinárias são aquelas que proporcionam ao investidor direito de voto nas assembleias de acionistas da empresa, já as preferenciais possibilitam prioridade no recebimento dos dividendos.

Quanto às diferentes classes de ações preferenciais, cabe aos estatutos das companhias especificarem os direitos de cada categoria. Além disso, as empresas podem negociar na bolsa as chamadas units, que geralmente são conjuntos de ações ordinárias e preferenciais, vendidas de modo agrupado, numa espécie de “pacote”. Os códigos das units são compostos por quatro letras e o número 11. Esse número também caracteriza alguns fundos de ações, como o conhecido BOVA11, que espelha o movimento do Ibovespa.

Embora o foco deste texto seja ações de empresas, vale lembrar que a bolsa possui códigos de negociação para outros tipos de papéis do mercado acionário, como direito de subscrição, recibo de subscrição e bônus de subscrição. Esses três produtos também têm códigos com quatro letras, mas as numerações são diferentes.

O final 1 indica direitos ordinários e o 2, preferenciais. Já os recibos ordinários possuem dígito 9, enquanto os preferenciais têm número 10. Os bônus de subscrição, por sua vez, podem ter números de 12 em diante.

É importante mencionar que uma mesma companhia pode negociar no mercado ativos de diversas categorias, como ações ordinárias e preferenciais. Vale mencionar ainda que o código de negociação pode ter um pequeno acréscimo, conforme o tipo de lote dos papéis.

Via de regra, as ações são negociadas em lotes de 10, 100 ou 1000 unidades. Por exemplo, o lote padrão das ações ordinárias e preferenciais da Petrobras é composto por 100 papéis, de cada categoria. Logo, se um investidor compra um lote de PETR4, ao preço de R$ 13,15, no total ele pagará R$ 1.315, sem considerar os custos operacionais.

Ainda assim, caso o comprador precisasse adquirir um número “quebrado” de ações, ele poderia fazer isso no chamado mercado fracionário, em que é possível comprar ativos de um em um. Nesse caso, os códigos de negociações têm o acréscimo da letra F, como em PETR4F.

Como utilizar os códigos em negociações?

Agora que você já tem uma boa noção de como é formada a “sopa de letrinhas” da bolsa, é importante destacar como utilizar os códigos nas negociações propriamente ditas. De modo geral, as pessoas pesquisam os ativos nos home brokers (plataformas de negócios das corretoras na internet) por meio de cada código.

Embora existam algumas variações entre os sistemas das corretoras, após a digitação do código do ativo quase sempre aparecem o nome do papel, a cotação, os preços de abertura, fechamento, máximo e mínimo, a quantidade de negócios, as ofertas de compra e de vendas, entre outros dados.

Quanto à cotação propriamente dita, você deve saber que ela se refere ao mais recente negócio feito com determinada ação, ou seja, tal preço é fruto de um acordo entre um comprador e um vendedor. Desse modo, a cotação é um valor de referência para o mercado, mas não significa que alguém conseguirá o preço em questão, pois isso depende da aceitação da outra parte na transação, seja um vendedor ou um comprador.

Mais um uso dos códigos de negociação é nos gráficos que representam a evolução dos preços das ações. Assim, quem pretende utilizar a análise técnica para tomar decisões no mercado financeiro pode digitar facilmente o código do ativo numa plataforma gráfica e, na sequência, monitorar o sobe e desce das cotações. A propósito, quem acompanha o dia a dia da bolsa de valores já está habituado a chamar as ações pelos respectivos “apelidos”.

Se você ainda não está acostumado com esse item do jargão financeiro, não se preocupe, pois a seguir vamos apresentar os códigos e determinadas características de alguns conhecidos papéis da B3. Continue a leitura e fique por dentro!

O que é a PETR3?

Apesar de ter sido envolvida na operação Lava Jato, a Petrobras continua a ser uma das maiores empresas do Brasil e uma das maiores petroleiras do mundo. A companhia fundada em 1953, no governo do então presidente Getúlio Vargas, atualmente é uma sociedade de economia mista, cujo controle acionário pertence à União.

No primeiro trimestre de 2017, a Petrobras obteve um lucro líquido de R$ 4,449 bilhões, ante um prejuízo de R$ 1,246 bilhão no mesmo período de 2016. A companhia atribuiu a reversão do quadro ao aumento de 72% nas exportações e à redução de diversos tipos de despesas. Ainda no primeiro trimestre de 2017, a produção da empresa chegou a 2,182 milhões de barris de petróleo por dia.

Na bolsa brasileira, as ações ordinárias da Petrobras são negociadas sob o código PETR3. Conforme o estatuto da companhia, o capital social total da empresa é de R$ 205.431.960.490,52. Tal montante é dividido entre 13.044.496.930 ações sem valor nominal, das quais 7.442.454.142 são ordinárias e 5.602.042.788 são preferenciais.

Embora as ações ordinárias componham a maior parte do capital social da Petrobras, esses papéis estão menos disponíveis para negociação na bolsa em termos relativos, já que esses ativos dão direito a voto nas assembleias da empresa.

De acordo com dados da bolsa brasileira, referentes à data de 27 de dezembro de 2017, havia 36,40% das ações ordinárias em circulação no mercado. Esse percentual é compreensível, já que o controle da empresa pertence à União, que em 27 de dezembro de 2017 possuía 50,26% das PETR3.

Na mesma data, o Fundo de Participação Social, por meio do BNDES, detinha 9,95% das ações ordinárias da Petrobras, enquanto a Caixa Econômica Federal possuía 3,24%. Conforme a B3, outros acionistas minoritários detinham 36,20% dos papéis ordinários da petroleira.

Quanto à cotação da PETR3, houve uma grande variação nos últimos dez anos. Entre 2007 e meados de 2008, por exemplo, o papel alcançou as maiores altas históricas, cujos preços chegaram a R$ 50 por ação. Entretanto, com a crise mundial iniciada nos Estados Unidos, os papéis da petroleira despencaram, como praticamente todo o mercado acionário.

A PETR3 conseguiu se recuperar um pouco a partir de 2009, quando chegou a ser cotada em torno de R$ 38, mas nos anos seguintes entrou em tendência de queda no longo prazo. Na última década, a ação ordinária chegou a ser negociada a R$ 5,67, em 2016, no período que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Com a confirmação da saída da ex-chefe do Executivo, as ações da Petrobras foram uma das que mais tiveram crescimento. Em outubro de 2016, a PETR3 foi negociada por R$ 19,72 na cotação máxima.

Mais tarde, com o aprofundamento da crise política no país, já no governo do presidente Michel Temer, as ações ordinárias da petroleira passaram a ser operadas com cotação na faixa de R$ 13.

O que é a PETR4?

Durante muito tempo, as ações preferenciais da Petrobras fizeram parte do seleto grupo das chamadas “blue chips” brasileiras, ao lado dos papéis da Vale, do Bradesco, do Itaú, do Banco do Brasil, da Ambev, entre outras. Tal termo serve para caracterizar as ações mais seguras e vantajosas do mercado, que geralmente são opções de investimento para quem possui um perfil mais conservador ou moderado quanto à tolerância a risco.

Inicialmente com a crise mundial de 2008 e, mais tarde, com as crises política e econômica brasileiras a partir de 2014, a ação preferencial da Petrobras PETR4 sofreu bastante no mercado, com redução significativa de valor. Como o controle da companhia é da União, qualquer impacto mais forte no centro do poder, em Brasília, tende a afetar o desempenho das ações da petroleira.

É bem verdade que a operação Lava Jato e a queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional também tiveram forte influência nos resultados da empresa. Ainda assim, passada a fase mais turbulenta para as cotações do papel, a PETR4 chegou a interromper a tendência de queda no longo prazo, durante o período pré-impeachment de Dilma Rousseff.

Do fundo do poço, em janeiro de 2016, quando foi negociada pelo preço mínimo de R$ 4,12, até o auge da fase pós-substituição na presidência, quando foi cotada a R$ 18,09, no valor máximo, em outubro do mesmo ano, a PETR4 teve um aumento de quase 340% em pouco mais de 200 dias. Após isso, no final de julho de 2017, a ação ordinária da Petrobras está cotada na faixa de R$ 13, após período de realização de lucros de muitos compradores.

Em que pese o fato de a PETR4 não ostentar o protagonismo de outrora na bolsa brasileira, ela continua a figurar no TOP 5 dos papéis mais negociados em cada pregão. Por isso, a ação preferencial da Petrobras é considerada um dos ativos mais líquidos do mercado acionário, ou seja, é relativamente fácil encontrar um comprador ou um vendedor para negociar o papel.

Tal facilidade pode ser muito útil para quem quer realizar operações no curto prazo, em que é necessário tomar decisões rápidas conforme as avaliações da análise gráfica. Pelo contrário, quando transações de curto prazo são feitas com papéis pouco líquidos, o investidor corre o risco de ficar com as ações na mão, sem ter alguém a quem vendê-las.

Quanto à PETR4, das 5.602.042.788 ações preferenciais do capital social da companhia, 73,63% estavam em circulação na bolsa na data de 27 de abril de 2017, conforme dados da B3. Quanto às posições dos acionistas, dos 100% das preferenciais, 62,22% estavam com acionistas minoritários, já o restante, distribuído entre algumas instituições, como BNDES, Caixa Econômica Federal etc. Vale lembrar que nessa data de referência a União não detinha ações preferenciais.

O que é a KROT3?

KROT3 é o código de negociação das ações do grupo educacional Kroton na B3. As origens da companhia remontam ao ano de 1966, especificamente, à fundação do curso pré-vestibular Pitágoras, em Belo Horizonte-MG. Mais tarde, na década de 1970, a empresa passou a atuar com educação básica. Posteriormente, o grupo ampliaria as atividades por meio de uma rede de escolas.

Em 2000, surge a primeira unidade da Faculdade Pitágoras. Já em 2007 o grupo abre o capital, para negociar ações na então BM&FBovespa. A partir de 2010, o grupo Kroton iniciou uma série de aquisições no setor educacional, principalmente de faculdades voltadas para graduação e pós-graduação. Nomes como Unopar, Anhanguera e Uniasselvi foram comprados pela Kroton.

Embora os acionistas de Kroton e Estácio de Sá tivessem aprovado a união das empresas, em 2016, no ano seguinte o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reprovou a transação, cujo valor seria de R$ 5,5 bilhões. A decisão do órgão ocorreu para evitar a falta de competição no segmento de ensino superior. Ainda assim, o grupo Kroton Educacional continua a ser líder desse setor no país, enquanto a Estácio permanece no segundo lugar.

Quanto à cotação, o papel KROT3 teve franca ascensão no período anterior à crise econômica brasileira, devido ao grande acesso de pessoas ao ensino superior, por causa dos custos facilitados. Contudo, com o agravamento da crise e a redução do financiamento estudantil pelo governo federal, a percepção do mercado em relação à ação da Kroton passou a ser negativa. O papel caiu da faixa de R$ 18, no final de 2014, para o patamar de R$ 7, no final de 2015. Ainda assim, com o chamado “rali do Impeachment”, a cotação da KROT3 voltou a subir. No final de julho de 2017, o papel foi negociado na faixa dos R$ 13.

O grupo Kroton faz parte do Novo Mercado da B3, segmento marcado por regras de governança corporativa mais rígidas, que possibilitam mais transparência quanto às ações da empresa. No primeiro trimestre de 2017, a companhia obteve lucro líquido de R$ 493,6 milhões, ante resultado positivo de R$ 599,3 milhões no mesmo período do ano anterior.

O que é a BBAS3?

O código de negociação BBAS3 pertence às ações ordinárias do Banco do Brasil. A instituição foi fundada em 1808, quando a família real portuguesa veio para o país. Atualmente, o BB, como também é conhecido, tem status de sociedade de economia mista, cujo controle é da União. O banco possui mais de 5 mil agências em território nacional.

Das ações ordinárias do BB, na data de 17 de julho de 2017, 50,73% pertenciam à Secretaria do Tesouro Nacional, 33,53% a acionistas minoritários, 9,26% à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, 3,67% ao Fundo Fiscal de Investimento e Estabilização e 2,82% à tesouraria do banco. No total, o capital social da companhia é formado por 2.865.417.020 ações ordinárias.

Quanto à cotação da BBAS3, é preciso mencionar que o papel foi um dos que teve maior alta durante a fase que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em janeiro de 2016, a ação chegou a ser negociada a R$ 12,48, no preço mínimo, mas chegou a R$ 35,29 em maio de 2017, na cotação máxima. No início de agosto de 2017, o papel é operado na faixa dos R$ 28.

No primeiro trimestre de 2017, o BB obteve lucro líquido de R$ 2,393 bilhões, ante um resultado positivo de R$ 2,310 milhões nos três primeiros meses de 2016.

Saiba qual a diferença entre cotação ON e PN?

Ao pesquisar o código de uma ação no home broker de uma corretora, é comum o investidor ver o nome da companhia e, ao lado, as siglas ON ou PN, para representar, respectivamente, as ações ordinárias e as preferenciais.

Você já sabe que as ações ON dão direito a voto nas assembleias das companhias e que as PN oferecem prioridade no recebimento de dividendos, mas talvez se pergunte qual é a diferença entre elas quando o assunto é cotação.

Antes vale lembrar que, no Novo Mercado, as companhias devem ter apenas ações ordinárias, logo, nesse caso não há opção de escolha entre ON e PN. Entretanto, para as companhias que oferecem os dois tipos de papéis, geralmente as ações preferenciais possuem maior liquidez do que as ordinárias. Na prática, as PN são mais negociadas do que as ON.

Com relação aos preços, as cotações das ordinárias tendem a possuir valor superior ao das preferenciais, embora essa não seja uma regra. Por exemplo, no dia 31 de julho de 2017, a ordinária PETR3 fechou cotada a R$ 13,80, enquanto a preferencial PETR4 terminou negociada a R$ 13,29. Na mesma data, a ON VALE3 terminou precificada a R$ 31,30, enquanto a PN VALE5 a R$ 29,17.

Qual preferir?

Na hora de comprar ações, muitos investidores ficam em dúvida se aplicam recursos nos papéis ordinários ou preferenciais. A resposta para esse tipo de pergunta é “depende”, afinal, os objetivos e as necessidades do negociador poderão pesar a favor ou contra cada tipo de ação.

Por exemplo, as ações ordinárias são vantajosas quando se quer prevenir os efeitos de uma possível venda ou fusão da companhia. Nesse caso, os detentores dos papéis ON tem direito, por lei, a receber no mínimo 80% do valor pago aos controladores da empresa, por meio do mecanismo de proteção denominado tag along.

Como se pode observar, quem possui ações ON está, de certa forma, do mesmo lado do controlador do negócio, logo, tende a ficar mais protegido quanto a eventuais mudanças de rumo na gestão da empresa.

Já as ações preferenciais oferecem a prioridade no recebimento de dividendos, que é uma espécie de distribuição dos lucros da companhia para os acionistas. Além disso, os papéis PN geralmente possuem maior liquidez no mercado, pois são bem mais negociados do que os ativos ON. Os detentores de ações preferenciais ainda têm a prioridade de receber o valor dos papéis nas situações de extinção da companhia. Por outro lado, em casos de aumento de capital, pode ocorrer de a empresa não permitir preferência para eles na hora de comprar mais papéis PN, para manter a participação percentual no capital.

Vale ressaltar que essas regras, de ambos os casos, são gerais. Portanto, é possível que uma companhia estabeleça em estatuto cláusulas específicas quanto ao mecanismo de tag along e à divisão de dividendos.

Diante das características singulares de cada tipo de ação, pode ser muito útil para o investidor o serviço de assessoria de profissionais especializados no mercado acionário. Assim, na hora de se decidir entre PETR3, PETR4, KROT3, BBAS3 ou outro papel da bolsa, o investidor terá mais subsídios para fazer uma escolha realmente embasada e de acordo com os próprios objetivos.

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