Um dos principais fatores para ser um bom investidor é ter um profundo conhecimento sobre as taxas de juros praticadas pelo mercado. Este é o primeiro passo para que a carteira seja montada de uma forma eficaz e possa dar as bases para que o dono do dinheiro consiga atingir os seus objetivos de curto, médio e longo prazo.

Entre os principais indicadores do mercado, dois destacam-se pelo impacto que possuem nos investimentos e na economia nacional. A Selic e o CDI são taxas de referência para bancos e instituições financeiras definirem o custo de seus empréstimos, avaliar o direcionamento das políticas econômicas do governo federal e buscar as melhores formas de aplicar o seu dinheiro.

Estes indicadores também possuem um impacto direto na sua vida. Se você quer saber como isso ocorre e como a taxa Selic e o CDI podem influenciar na rentabilidade dos seus investimentos, continue a leitura deste post.

O que é a taxa Selic?

A taxa Selic é conhecida como a taxa básica de juros brasileira. Ela é um índice obtido a partir da taxa média ajustada dos financiamentos diários que forem apurados pelo Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos federais. Em outras palavras, é a média dos juros pagos pelo governo durante a emissão de títulos da dívida pública, como a Letra do Tesouro Nacional e a Nota do Tesouro Nacional.

Os valores da taxa Selic são definidos pelo Copom (Comitê de Política Monetária) a cada 45 dias. Para o cálculo, são considerados todos os financiamentos relativos às operações diárias que forem registradas e liquidadas no próprio Selic e nos sistemas operados por prestadores ou câmaras de serviços de compensação e liquidação de títulos.

O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia foi criado em 1979 para registrar todas as operações de custódia e liquidação de títulos públicos federais. Ele é acessível apenas para as instituições credenciadas pelo Banco Central.

Hoje, a taxa Selic é considerada o índice de referência para o cálculo de todas as taxas de juros praticadas pelo mercado financeiro, além de ser um indicador do direcionamento da política econômica praticada pelo Governo Federal.

Ela também é utilizada para reduzir o risco de operações de curtíssimo prazo entre bancos. Neste caso, a instituição financeira utiliza os títulos públicos como garantia, reduzindo os juros da operação.

O que é a taxa CDI?

Sigla para Certificado de Depósito Interbancário, o CDI são os títulos emitidos por instituições financeiras para captar ou aplicar recursos excedentes. Este é um tipo de investimento criado em meados da década de 1980, que possui prazo de 1 dia útil e tem como principal objetivo melhorar a liquidez da instituição que o emite. As transações do CDI são executadas e registradas por instituições bancárias na CETIP (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos, hoje conhecida como CETIP S.A. – Mercados Organizados).

O CDI é uma taxa utilizada como referencial para o cálculo do custo do dinheiro e para avaliar a rentabilidade de aplicações em fundos de investimento.

Como estas taxas afetam o nosso dia a dia e os seus investimentos?

A taxa Selic possui um impacto direto e indireto no nosso dia a dia. Por ser uma taxa de referência, as suas mudanças afetam a capacidade de cada brasileiro obter empréstimos a juros baixos (ou realizar investimentos de renda fixa com um grande retorno).

Ao longo dos últimos anos, as variações da Selic foram adotadas como um método de controle da inflação. Quando o governo federal mantém uma política menos restritiva ou a inflação está em queda, por exemplo, a taxa é reduzida. Por outro lado, se o Banco Central acreditar que há a necessidade de manter um controle maior sobre a inflação, a Selic sobe.

Isto leva à queda de juros em operações de longo prazo e pode ser interpretado como um sinal de que o mercado acredita na capacidade do governo de manter a inflação baixa. Em alguns casos, a redução da Taxa Selic também pode ser um indicativo de que o governo possui uma política econômica expansionista, com uma tolerância maior a um índice inflacionário elevado.

Os investidores, com certeza, estão entre os mais impactados pelas oscilações da Selic. Diversas aplicações financeiras possuem rendimentos que estão diretamente ou indiretamente atrelados às mudanças no índice.

Este é o caso, por exemplo, dos fundos de renda fixa. Eles possuem boa parte da sua carteira baseada em papéis pós-fixados (como o LFT, a Letra Financeira do Tesouro) e da poupança (caso a Selic esteja com um valor de 8,5% ao ano). Desta forma, qualquer modificação na taxa impactará diretamente no lucro do investidor.

Para quem toma empréstimos, a Selic possui um efeito indireto. A taxa básica de juros é um dos vários fatores que entram no cálculo das tarifas cobradas pelos bancos para emprestar dinheiro, portanto, uma mudança na Selic tende a ter um efeito a médio e longo prazo nos juros cobrados pelas instituições financeiras. Isso vale tanto para pessoas físicas quanto jurídicas (como é o caso das operações feita entre instituições do mercado financeiro).

Assim como a taxa Selic, o CDI também afeta aplicações em fundos de renda fixa. Neste caso, as variações do CDI impactam na lucratividade de títulos de dívida privados, como os CDBs, as LCIs/LCAs e as LCs. Todos estes investimentos possuem como variação uma taxa percentual que toma como base o valor do CDI.

O CDI também é considerado um benchmark para aplicações financeiras. Muitos investidores utilizam esta taxa para avaliar a lucratividade de um investimento: se ele render mais do que o CDI, o investidor tende a avaliar a aplicação como algo lucrativo.

Conhecer os indicadores que impactam nos seus investimentos é algo crucial para não perder dinheiro a médio e longo prazo.

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