O cenário de crise pelo qual o Brasil vem passando nos últimos anos fez despontar um investimento: o Tesouro Direto. Essa modalidade existe há vários anos, mas começou a ser mais falada recentemente porque os juros e a inflação elevados aumentaram sua rentabilidade, principalmente se comparada à poupança.

É por isso que, de acordo com o relatório de abril de 2017 do Tesouro Nacional, 44.389 pessoas se cadastraram nessa modalidade de aplicação. O total de investidores chegou a mais de 1,3 milhão, um aumento de 85,2% em comparação com o mesmo período de 2016.

A dúvida é: por que esse investimento se tornou tão popular? Há várias justificativas: baixo risco, maior rentabilidade, alta liquidez (ou seja, o dinheiro investido pode ser sacado a qualquer momento) etc.

No post de hoje vou explicar como essa aplicação funciona e mostrar por que você deve pensar em investir. Para isso, abordo os seguintes pontos:

  • o que é esse investimento;
  • como ele funciona;
  • como começar a investir;
  • quais são suas vantagens e desvantagens;
  • quais são os benefícios para o investidor.

Quer saber mais? Então continue lendo!

1. O que é Tesouro Direto?

Esse é um programa que permite negociar títulos públicos federais. Por meio de uma plataforma online, pessoas físicas conseguem comprar e vender ativos financeiros. Ao fazer essa aquisição, estão emprestando dinheiro para o governo, que pode custear seus projetos. Em troca, o investidor obtém o valor investido acrescido de juros.

Essa é uma boa opção de investimento por diversos motivos. Um deles é pela democracia da aplicação, já que é possível empregar a partir de R$ 30, respeitando o limite mínimo de 1% do valor do título.

Isso significa que você pode comprar apenas parte de um título público, desde que a parcela mínima seja de R$ 30 e esse valor corresponda a pelo menos 1% do total.

Outra razão que justifica a opção por esse investimento é por ser bastante seguro e ter um baixo risco. Essa característica se deve ao fato de você adquirir o título diretamente do Tesouro Nacional — ou seja, não está sujeito à quebra de empresas ou corretoras.

Por fim, uma terceira justificativa é a rentabilidade alta, se comparada à poupança. Em resumo: com esse tipo de aplicação você consegue ter lucro, segurança, liquidez e simplicidade.

1.1. Quais são os investimentos disponíveis?

O investimento de que estou tratando neste post possui diferentes tipos. Eles podem ser de curto, médio ou longo prazo. Sua escolha deve se basear em suas próprias necessidades.

Assim, se pretende comprar um carro em 2 anos, o ideal é optar por uma aplicação de curto prazo. Se prefere adquirir um apartamento em até 5 anos, o médio prazo é o ideal. E para ter uma aposentadoria tranquila recomenda-se os títulos de longo prazo.

Esses ativos também podem ser pré ou pós-fixados. Os primeiros são aqueles cuja rentabilidade é determinada na hora da compra. Com isso, você, como investidor, já sabe exatamente quanto receberá se permanecer com o título até sua data de vencimento. São indicados para quem acredita que a taxa prefixada será maior que a Selic, o índice básico de juros da economia.

Já os títulos pós-fixados são aqueles que têm seu valor corrigido por um indexador, que pode ser o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou a própria Selic. Isso significa que o seu rendimento vai variar de acordo com a performance do indicador e da taxa contratada durante a compra.

Veja a seguir os ativos que podem ser adquiridos:

  • Tesouro Prefixado: é a antiga Letra do Tesouro Nacional (LTN). Sua rentabilidade é prefixada e seu fluxo de pagamento é simples, o que significa que, na data de vencimento, o investidor recebe o valor de face (total aplicado mais o rendimento);
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais: é a antiga Nota do Tesouro Nacional — Série F (NTN-F). É um ativo prefixado, mas o investidor recebe um fluxo semestral de cupons de juros, o que eleva as possibilidades de reinvestimento e liquidez;
  • Tesouro IPCA+: é a antiga Nota do Tesouro Nacional — Série B Principal (NTN-B Principal). É um título pós-fixado que possibilita obter rentabilidade real e mantém o poder de compra do investidor, protegendo das flutuações do IPCA. Recomenda-se apostar nesse investimento quando você deseja fazer uma poupança de médio ou longo prazo. O fluxo de pagamento é simples e não é necessário se preocupar com reinvestimentos;
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais: é a antiga NTN-B. Funciona da mesma maneira que o Tesouro IPCA, mas conta com o fluxo semestral de cupons de juros;
  • Tesouro Selic: é a antiga Letra Financeira do Tesouro (LFT). Esse título é pós-fixado e sua rentabilidade varia de acordo com a Selic. O cálculo é feito pela variação entre a data de compra e a de venda. Ágio ou deságio podem ser acrescentados à contagem. A vantagem desse ativo é que ele tem baixa volatilidade e evita perdas em situações de venda antecipada. Por isso, é recomendado quando você não sabe se precisará sacar o dinheiro antes do tempo. O fluxo de pagamento é simples.

1.2. Alternativas no cenário atual 

O cenário atual da economia brasileira facilita a aquisição de outros tipos de investimentos. Em 2017, o Brasil começou a apresentar redução na taxa de juros e na inflação. A tendência é que esse contexto se intensifique.

Por isso, existem outras possibilidades. Veja quais são elas a seguir:

1.2.1. Debêntures incentivadas

Esses investimentos são títulos de médio e longo prazos que oferecem aos investidores um crédito com a empresa que os emitiu. De modo geral, o que ocorre é que você compra título de uma empresa e empresta dinheiro para ela. Em troca, recebe uma rentabilidade pré-acordada.

As debêntures incentivadas são utilizadas para projetos de infraestrutura. Sua vantagem é serem isentas de Imposto de Renda (IR). Geralmente são determinadas pela inflação (IPCA) mais uma taxa prefixada. O primeiro índice assegura o poder de compra e o segundo adiciona o percentual de retorno real.

A rentabilidade é similar ao Tesouro IPCA com Juros Semestrais. A diferença é que não há incidência de IR.

1.2.2. Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

Essas aplicações fomentam os mercados imobiliário e do agronegócio, já que seus títulos captam recursos que são destinados a esses setores. Tanto o CRI quanto o CRA são isentos de IR e compõem ativos de renda fixa.

Esses títulos são similares às Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), mas são emitidos por companhias de seguro de direitos creditórios desses segmentos. Elas compram dívidas de agricultores, imobiliárias, cooperativas etc. e as transformam em títulos que podem ser negociados.

Quando você compra um desses ativos, empresta dinheiro para a instituição emissora e recebe o valor com juros no vencimento. A rentabilidade geralmente está atrelada ao IPCA.

1.2.3. Fundos multimercados

Esse tipo de fundo não possui uma classe específica e, por isso, há mais liberdade para executar negociações entre títulos de renda fixa, moedas, ações empresariais, investimentos no exterior e derivativos. Devido a essa característica, são uma boa opção para diversificar as aplicações.

A vantagem é que o gestor do fundo pode criar diferentes estratégias para potencializar os resultados. Tudo vai depender do cenário econômico e do mercado financeiro. Por outro lado, haverá momentos em que ocorrerá grandes flutuações, o que pode elevar o nível de risco.

2. Como funciona este tipo de investimento?

O funcionamento da aplicação que é o foco deste post é bastante simples. Porém, há vários detalhes que precisam ser verificados. Veja o que você deve considerar antes de começar a investir no Tesouro Direto:

2.1. Taxas

A aplicação no Tesouro sofre a incidência de duas taxas principais: uma da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F Bovespa) e outra da instituição financeira pela qual você realiza o investimento.

A BM&F Bovespa é a entidade que possibilita a negociação dos títulos públicos federais. Por isso, há uma cobrança de taxa de custódia de 0,3% ao ano em cima do valor empregado. Esse percentual é referente ao serviço de movimentação e guarda dos saldos.

A taxa da instituição financeira varia e é acordada antes da contratação. Existe uma tabela do Tesouro Nacional que apresenta todas as entidades que podem operar com esse investimento e quais taxas cobram. De modo geral, a limitação é de 0,7% sobre o total investido.

2.2. Rentabilidade

A rentabilidade varia conforme o indexador ou tem uma taxa prefixada. A vantagem do segundo caso é que você sabe o quanto vai receber posteriormente — e não existe a possibilidade de que esse valor diminua ou aumente. 

Por outro lado, os títulos pós-fixados podem ter uma rentabilidade mais alta. Por isso, vale a pena pensar em investir neles.

2.3. Liquidez

Os títulos do Tesouro podem ser vendidos de volta ao governo federal a qualquer momento, o que garante uma alta liquidez. O dinheiro é disponibilizado no dia seguinte na conta da corretora.

O problema dessa venda antecipada é que você terá um rendimento menor, mesmo que tenha assegurado um título prefixado. Como isso acontece? É simples. Como você não aguardou a data de vencimento, o retorno será proporcional.

Por isso, recomenda-se não optar pela venda antecipada, a não ser que haja uma ótima possibilidade de retorno mais alto ou você precise do dinheiro com urgência. Caso você não saiba se vai precisar sacar o montante aplicado, é indicado adquirir o Tesouro Selic, que é o único que não tem rentabilidade negativa.

Além disso, há a compra programada e o reinvestimento automático. Essas funções também são úteis para quem opta por aplicações de longo prazo e adquirem títulos frequentemente.

2.4. Impostos

Os títulos do Tesouro sofrem incidência de IR, que é cobrado ao fazer a venda do título ou quando ele vencer. As aplicações também podem ter incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas isso ocorre somente com transações com um período menor que 30 dias.

O IOF e o IR variam conforme o tempo de aplicação. No primeiro caso, é de 96% para investimento de 1 dia e 3% para um período de 29 dias. A partir do 30º o IOF não é mais cobrado. Já o IR segue uma tabela regressiva. Confira:

  • aplicação de até 180 dias: alíquota de 22,5%;
  • aplicação de 181 a 360 dias: alíquota de 20%;
  • aplicação de 361 a 720 dias: alíquota de 17,5%;
  • aplicação acima de 720 dias: alíquota de 15%.

3. Como começar a investir?

A compreensão sobre todos os detalhes que envolvem os títulos do Tesouro leva à pergunta: como começar a investir? As transações são bastante simples e você pode fazer diretamente da sua casa.

No entanto, existem algumas particularidades que devem ser cumpridas. Elas são relativas ao valor mínimo de aplicação. É o que vou mostrar agora e, em seguida, o passo a passo para investir.

Confira:

3.1. Qual o valor mínimo para começar a investir?

Esse investimento é conhecido por ser o mais democrático. Qualquer pessoa consegue comprar um título e fazer seu dinheiro render. Duvida? Isso ocorre porque o valor mínimo de aplicação é de apenas R$ 30 (desde que esse total seja correspondente a 1% do preço do ativo). O valor máximo é R$ 1 milhão.

Existem corretoras que também possibilitam fazer uma compra programada. Essa funcionalidade é interessante se você pretende aplicar um valor específico todos os meses.

O cuidado que se deve ter com esse recurso é assegurar que a sua conta na corretora tenha o valor necessário para aplicação. Caso não tenha, você será notificado por e-mail. Se for reincidente no erro, pode ter sua conta suspensa por até 90 dias — e nesse período não poderá fazer nenhuma operação de compra ou venda de ativos.

3.2. Qual o passo a passo para investir?

O processo de aplicar nos títulos do Tesouro é bastante simples. Confira o passo a passo:

3.2.1. Cadastre-se no site do Tesouro e abra uma conta em uma corretora de valores

Esse processo é bastante fácil. Basta acessar o site do Tesouro e fazer o seu cadastro. Depois, procure uma corretora e realize o seu cadastro. Se você já possui uma conta, melhor. Caso contrário, pode procurar na lista do Tesouro as instituições autorizadas. Entre em contato com a corretora e verifique os documentos necessários.

3.2.2. Envie o dinheiro da sua conta-corrente para a da corretora

O dinheiro que você tem guardado no seu banco precisa ser enviado para a conta da corretora. É assim que você poderá comprar os seus primeiros títulos. O prazo de transferência é de 1 dia útil, geralmente.

3.2.3. Analise o prazo do título que deseja comprar

A sua conta na corretora permitirá que você analise os títulos e compre aqueles que preferir. Verifique sempre o prazo do ativo para ter certeza de que ele está de acordo com o seu objetivo para o investimento.

Por exemplo: se pretende sacar o dinheiro mais rapidamente, opte pelo curto prazo. Isso também é válido para os prazos médios e longos. Depende do que deseja. O objetivo é assegurar a maior rentabilidade possível e evitar perdas.

3.2.4. Acompanhe o desempenho da aplicação

O investimento nesse tipo de renda fixa não requer um acompanhamento constante, mas acredite: é interessante tomar essa atitude. Existem alguns casos em que vale a pena vender o ativo antes de seu vencimento. Nesse caso, vale a pena aproveitar o momento, desde que você tenha um destino específico para o dinheiro.

4. Quais são as vantagens e desvantagens do Tesouro Direto?

Este post já apresentou diversas características das aplicações no Tesouro. Porém, quais são as reais vantagens e desvantagens desse investimento? É o que vou mostrar agora.

Ter esse conhecimento possibilita aplicar seu dinheiro com mais consciência e evitar imprevistos. Conheça primeiro as vantagens do investimento:

4.1. Segurança

Esse é o investimento que tem mais segurança no mercado. Essa característica é referente a 3 fatores. Um deles é o fato de os títulos serem comprados diretamente do Tesouro Nacional, o que significa que a instituição financeira não interfere nesse processo. Ela apenas fornece a plataforma para compra e venda.

Outro fator que garante a segurança é que os títulos são do governo federal. Ou seja, a chance de um calote é mínima, inclusive porque a União pode emitir moedas se precisar honrar seus compromissos.

Por fim, o terceiro motivo que aumenta a segurança é a auditoria das corretoras pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essa entidade reduz o risco de fraudes e fiscaliza as operações.

4.2. Rentabilidade historicamente superior

Um dos benefícios do Tesouro é sua regularidade de retorno. Isso o torna a aplicação que apresenta a maior rentabilidade, mesmo em comparação com ações ou Certificados de Depósito Interbancários (CDIs). Se você não acredita, pode conferir na tabela do Tesouro Nacional a rentabilidade média.

 4.3. Variedade de títulos

Os títulos que fazem parte do Tesouro são bastante diferentes entre si. Existem títulos pré e pós-fixados, também há alguns mistos (que possuem os dois tipos de rentabilidade), há aqueles atrelados à Selic e outros que dependem da inflação (IPCA).

Essa característica permite que você analise as opções e escolha aquelas que estão mais adequadas ao seu objetivo financeiro. Isso também possibilita ter maior diversidade na composição da carteira, o que eleva o potencial de retorno.

Entendendo as vantagens, que tal ver as desvantagens para estar preparado? Acompanhe:

4.4. Pagamento de taxas e impostos

Os valores cobrados são baixos, mas é preciso pagar por eles. Há a taxa de custódia e da corretora, sem contar na incidência de IR. Se você aplicar por menos de 30 dias, ainda precisará pagar o IOF. Esses percentuais fazem o seu rendimento ser menor que o esperado, especialmente em comparação com aplicações que não contam com cobrança de IR.

4.5. Possibilidade de perda em caso de venda antecipada

A venda antecipada, que ocorre principalmente em caso de necessidade, pode ocasionar perdas significativas da rentabilidade, além da depreciação. Nesses casos, nem sempre são garantidos o retorno total e a manutenção do poder de compra. Em resumo: você pode literalmente perder dinheiro com a operação.

5. Quais são os benefícios para o investidor?

A opção por esse tipo de investimento traz diversos benefícios para o investidor. Quer saber quais são eles? Acompanhe:

5.1. Baixa taxa de administração

Os títulos do Tesouro têm custo muito baixo, especialmente se comparados a outras modalidades de investimento. Como informamos anteriormente, há uma taxa de custódia e da corretora. Porém, esses índices não chegam a 1% individualmente.

5.2. Menos intermediários

A aplicação no Tesouro tem a corretora como intermediária. Porém, não há outros agentes, o que aumenta o seu potencial de lucro. Afinal de contas, há menos pessoas para compartilhar os resultados. No longo prazo isso resulta em um valor muito maior para você.

5.3. Mais autonomia de decisão

Os investidores, de modo geral, têm bastante conhecimento sobre o mercado financeiro ou buscam informações a respeito. Com o tempo, eles têm ampla experiência e sabem o que é positivo e negativo. Ao aplicarem no Tesouro, eles têm mais autonomia para escolher os títulos e podem fazer as escolhas de acordo com sua estratégia pessoal.

5.4. Controle e monitoramento simplificados

As aplicações no Tesouro permitem que você tenha acesso aos dados, valores de aplicação, total atual e outros números. Todas essas informações são acessadas por meio de um login e senha.

4.5. Portabilidade dos títulos

Os títulos podem ser facilmente transferidos para outra corretora. Como você os compra diretamente do Tesouro Nacional, em caso de quebra ou qualquer problema que tenha com a agente de custódia, pode trocar de instituição sem ter ônus.

Esse processo é bastante simples e realizado por meio de uma Solicitação de Valores Mobiliários, um documento que formaliza o pedido de transferência de corretora. Não há nenhuma outra modificação, exceto a taxa da agente de custódia, que pode alterar conforme a instituição financeira.

Como você pôde perceber, aplicar nos títulos do Tesouro é uma boa alternativa, porque é um investimento seguro, de boa rentabilidade e muito prático. Porém, os detalhes que indicamos neste post devem ser respeitados para evitar que você perca dinheiro.

Há outras opções de aplicações que podem ser consideradas para o momento atual. De todo modo, não perca o Tesouro direto de vista, porque ele é uma ótima possibilidade de ter um bom rendimento e diversificar a sua carteira.

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Guia Pratico 2.0 Investindo em Fundos Imobiliários