Quando se pensa em investimentos, a primeira coisa que vem à sua mente é o banco, certo? E muitas pessoas ainda acreditam que a poupança seja o investimento mais seguro que elas podem fazer. Mas, conforme falamos neste artigo aqui, ela deixou de ser um investimento rentável e pode (ou, podemos dizer, deve) ser substituída por investimentos que têm a mesma segurança com um rendimento superior ou, ainda, investimentos que são considerados até mais seguros, como os títulos públicos. Ou seja, a forma mais segura de fazer um investimento é emprestar dinheiro para ninguém mais, ninguém menos do que o Governo.

Mas, por que emprestar dinheiro ao governo? Em três palavras: risco muito baixo. Caso chegue ao limite e, em caso de “quebra”, ainda é possível que se busque outras formas para quitar as dívidas governamentais, como aumento de impostos, por exemplo.

Por meio do Tesouro Nacional, o Governo Federal faz a emissão de títulos, que financiam a dívida pública do país – a diferença entre o valor gasto e arrecadado – e outras atividades governamentais. Como outros investimentos de renda fixa, eles podem ser pré ou pós-fixados, e seu prazo e forma de remuneração são definidos na emissão, como no CDB (leia mais sobre esse investimento aqui).

O Tesouro é uma aplicação que oferece uma rentabilidade superior à poupança e é garantido pelo Governo Federal. Este investimento é considerado no mercado financeiro como de baixo risco, e é uma ótima oportunidade para fazer uma economia de longo prazo.

Mas, por que baixo risco? No caso de quebra do Governo Federal, os bancos (e seus investidores) também acabam perdendo. Ou seja, se o investidor de títulos públicos é prejudicado, quem tem dinheiro na poupança também é.

Tipos de Títulos Públicos
  • Pré-fixado: sua taxa de rentabilidade é determinada na compra e calculada pela diferença entre o valor de compra e o estimado no momento do vencimento. Não há correção do fluxo por outras taxas.
  • Pós-fixado: o preço tem a correção de um indexador. Ou seja, sua rentabilidade depende do desempenho dessa taxa e do que foi pago na compra – a taxa de juros ou prêmio.
Há vários tipos de títulos, os mais comuns são:
  • Letras Financeiras do Tesouro (LFT): São títulos pós-fixados, remunerados com base na Selic (taxa básica de juros). Funcionam bem como reserva emergencial, pois têm alta liquidez – ou seja, você tem facilidade em vender, se precisar do dinheiro.
  • Letras do Tesouro Nacional (LTN): Este título é pré-fixado, sendo o valor de resgate acordado na contratação, para ser recebido no vencimento. São usados como estratégia para curto e médio prazo, pois normalmente apresentam mais rendimento e menos liquidez do que LFTs.
  • Notas do Tesouro Nacional, Série F (NTN-F): Título pré-fixado, com o pagamento de juros semestrais. Normalmente possuem um vencimento mais longo e são menos atrativos para pessoas físicas, devido à sua tributação.
  • Notas do Tesouro Nacional, Série B (NTN-B): Estes títulos são indexados à inflação e têm correção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), além de uma remuneração pré-fixada. Também possui pagamentos semestrais de juros. Sua variação, NTN-B Principal, não tem os pagamentos semestrais de juros, remunera todo o valor acumulado no vencimento e funciona bem para aplicações de longo prazo.
Rentabilidade

Permanecendo com os títulos públicos em carteira até o vencimento, é recebido o valor que corresponde à rentabilidade acordada na compra, sem interferência da flutuação de preço do título durante a aplicação. Mas, em caso de venda antecipada, o Tesouro compra o título usando seu valor de mercado como base. Assim, a venda realizada antes do vencimento traz uma remuneração diferente da acertada na compra, já que o valor a ser recebido depende do preço que o título apresenta no momento da venda – e isso pode ser uma vantagem ou desvantagem.

Risco
  • Os títulos públicos são investimentos muito seguros, superando a poupança.
  • A venda antecipada traz riscos, já que não é possível afirmar se haverá perda ou ganho, e o investidor fica à mercê das condições do mercado.
  • Mas, permanecendo com os títulos até o vencimento, a rentabilidade acertada na compra, independente de variações de preço, é recebida.
Tesouro Direto

Criado em janeiro de 2002 pelo Tesouro Nacional, em uma parceria com a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), este programa possibilita que se realize a aquisição de títulos pela internet. seus objetivos são:

  • democratização do acesso aos títulos federais para investimentos;
  • estimular a criação de poupanças de longo prazo;
  • oferecer informações da administração e estrutura da dívida pública

Antes da sua criação, só era possível comprar títulos públicos adquirindo cotas de fundos de investimento, que funcionavam como intermediários, para compor a carteira dos fundos com os recursos destas aplicações. Com o Tesouro Direto, é possível comprar os títulos diretamente, reduzindo custos.

Assim…
  • O investimento mais seguro em um país é emprestar dinheiro para o Governo Federal.
  • Investimentos que rendem menos do que os títulos públicos devem ser avaliados.
  • A venda antes do vencimento nem sempre é válida, financeiramente.
  • A poupança, que ainda é o investimento mais comum do Brasil não deveria ser considerada o investimento mais seguro, já que isso não é verdade.
  • É comum que bancos ofereçam produtos que explorem a falta de conhecimento de seus clientes e trazem baixo rendimento. Por isso, consultar um assessor especializado, pode ser a melhor opção, antes de fazer um investimento.
  • A NTN-B merece destaque, já que paga inflação mais taxa. Confira abaixo a simulação do retorno de uma aplicação deste tipo em 10 anos, considerando IPCA+6% e comparada à inflação.
Guia Pratico 2.0 Investindo em Fundos Imobiliários